Tremeu!

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Hoje peço licença a você leitor para escrever somente como torcedor, esquecendo o fazer jornalístico e a vendida imparcialidade da profissão. Hoje acho que mereço. Afinal, meu time foi campeão. O rural não é lá grandes coisas, é verdade, e o cruzeirense sempre aspira algo maior, mas apesar disso essa conquista foi especial e vale ser ressaltada.

As coisas não começaram hoje, nem semana passada. Vem de mais tempo. Depois de alguns anos de sucesso, nada espetacular, mas um pouco acima da média pouco invejável de seu clube, os torcedores do Clube Atlético Mineiro criaram algumas falácias em que eles mesmos passaram a acreditar, algo bem comum.

O “tremeu” e o “quando tá valendo, tá valendo” se tornaram mantras que o atleticano, juntamente com certo apelido homofóbico que felizmente não ofende ninguém, achava ser equivalente aos fatos que comprovam a quilométrica superioridade cruzeirense. Bom, o clássico Cruzeiro x Atlético-MG sempre é dos mais equilibrados numericamente no Brasil, tendo o clube alvinegro construído pequena vantagem nos terríveis anos 80 onde o futebol mineiro passou em branco em títulos de expressão. De lá para cá, até o ano de 2010, sempre deu Cruzeiro, em Minas, no Brasil, no mundo. Nesta década, grande equilíbrio, tendo dois momentos fora do padrão: o 6 a 1 e a final da Copa do Brasil 2014. Por isso, se tremeu, tremeram os dois. E após 2014 começaram a repetir como mantra o quando “tá valendo, tá valendo”, que obviamente só valia se o Atlético-MG ganhava e mesmo com o Cruzeiro chegando a manter um tabu de dois anos e meio sem perder foram dois anos e meio que não valia. Já esperado.

Então chegamos no presente. Finais do Campeonato Mineiro de 2018, Cruzeiro vindo de três anos sem título estadual. Expectativa para as finais de ambos os lados e por fim uma derrota acachapante para o lado azul da força. Um 3 a 1 doído no Horto que pareceu jogar por terra todo o início de ano. E antes mesmo do apito final começou o falatório. Torcedores empolgados usando os dois mantras, que os permitiam não olhar seus próprios problemas para falar do dos outros, exaustivamente, durante dias e dias. E o cruzeirense, eu, você, ouvindo tudo e imaginando que satisfação seria uma virada. Mas o mais impressionante é que desta vez não estávamos sozinhos. Os próprios atletas atleticanos entraram na pilha do “já ganhou”. Provocações dentro de campo e nas redes sociais se tornariam o grande erro do elenco alvinegro. Os jogadores do Cruzeiro sentiram na pele o que a torcida sentia, e aí meus amigos, o jogador vira torcedor.

O que se viu hoje, desde o desembarque do time as portas do Mineirão nos braços da torcida, até os brados de desabafo cuspidos após o apito final, mostrou que o time celeste entrou numa frequência diferente. Não eram onze profissionais, eram onze torcedores. E amigo leitor, essa torcida jamais perderia um clássico.

E a luz de Arrascaeta em clássicos, a estrela de Thiago Neves em decisões, a experiência de Edilson ou a burrice do ídolo atleticano (ouvi isso da boca de um deles) Rômulo Otero foram grandes coadjuvantes para o personagem principal: A torcida que, mais uma vez com 50 mil pessoas dentro do Mineirão (está ficando repetitivo), empurrou o time à vitória. Com certeza este é nosso melhor jogador. Um craque que sou eu, que é você, que somos nós. E olha que nós nem pedimos nada para jogar, jogamos por amor.

E ao atleticano, ouça o que disse Rafael Sóbis. Com essa mentalidade, a diferença da lista de troféus vai aumentar cada vez mais.

A gente treme? Eu te vi levar de seis, eu te vi cair, eu te vi menor que eu e nunca te vi ser bi. Tenho um monte de troféus, os recordes de torcida não pertencem a ti. Responde aí atleticano…quem é mesmo que treme aqui?

E antes de chamar de “Maria” com uma intenção infantil de ofender, lembre-se dos versos de Milton Nascimento:

“Pra ser Maria é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre”

Ah, mas isso tivemos de sobra, por isso não deu para vocês.

Fica uma dedicatória especial aos grandes amigos e cruzeirenses Pedro Ferreira, sempre presente, e Karina Peres, minha colega de profissão.

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