Fundação Renova
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O Novo Normal

Desde quando o coronavírus se instaurou na sociedade, a nível mundial, o termo “novo normal” vem sendo dito, replicado e acoado na internet por diversas empresas, líderes políticos, e coachings. Hoje a internet é o local onde a maioria dos comunicados são realizados.

Enquanto a vacina ou um medicamento com eficácia comprovada cientificamente contra o novo coronavírus não forem descobertos, teremos que viver com maior cautela, adotando as medidas protetivas que se repete nas mais variadas mídias: lavar as mãos com maior frequência, distanciamento social, uso de máscara em lugares públicos, higienizar as mãos com álcool 70% quando estiver fora de casa, retirar os sapatos e roupas ao chegar em casa, etc.

Podemos concluir que esse seria o “novo normal”. Acontece que se repete esse termo para sustentar uma ideia de que viveremos eternamente assim, uma tese que não pode se consolidar, pois imaginem que triste seria vivermos o resto de nossas vidas com medo? E se levarmos em consideração que a ciência, assim como avançou no passado criando antídotos contra vírus como a gripe, meningite, H1N1, paralisia infantil, rubéola, tem progredido se tratando do novo coronavírus, logo, não querendo ser otimista demais, é muito provável que em breve teremos uma resposta científica para esse mal.

O histórico científico no que tange a curas, medicamentos e vacinas é vasto, embora para algumas doenças a ciência ainda não tenha encontrado resposta. Um exemplo que podemos usar para validar a competência dos biólogos, farmacêuticos, biomédicos, biotecnólogos, engenheiros químicos e médicos, que vêm se esforçado para deter o coronavírus é, além das vacinas para as doenças mencionadas no parágrafo anterior, o medicamento criado para conter o vírus HIV, que matou milhares de pessoas entre as décadas de 80 e 90, justamente por não possuir nenhuma droga que pudesse paralisar sua ação no organismo humano. Inclusive nos dias atuais há pílulas que possibilitam que uma pessoa se previna do HIV, a Profilaxia pré-exposição (Prep).

Retornando ao conceito de “novo normal”, quais observações são importantes? Em primeiro lugar, qual é o conceito de uma vida normal na nossa sociedade? Geralmente, aquele cujas às pessoas saem da casa para trabalhar, estudar, fazer compras, passear, frequentarem bares, restaurantes, parques, etc. E quem não o fazem está completamente fora da “normalidade”, afinal, é quase que uma obrigatoriedade demonstrar ser ‘normal”, ser social. Quem não é badalado é ignorado.

Acontece que para muitas pessoas o isolamento social não é novidade, então para elas não existe um novo normal, pelo contrário, elas podem inclusive usar a pandemia como pretexto ou se sentirem mais confortáveis com o fato de que agora todo precisam estar isolados mesmo, logo não serão mais cobradas a serem “normais”. Para essas pessoas, que devem ser levadas em consideração, imagens com aglomerações, estar nas ruas com variados tipos de pessoas, barulho, vozes, tudo isso sempre as perturbou e as deixou muito estressadas, por isso optam por viverem isoladas. Elas são felizes com suas próprias companhias, atitude que muitas vezes podem indicar transtorno de personalidade narcisista, mas que muitas vezes não é. E que mal pode haver em pessoas escolherem ser assim? Por que tais pessoas devem ser chamadas de anormais? Por que simplesmente não segue um padrão comportamental de sociabilidade?

Do ponto de vista dos psicólogos, o convívio social pode elevar a uma melhoria qualidade de vida e da saúde mental, desde que o mesmo não seja forçado. Obrigar uma pessoa a ser sociável se apoiando na justificativa de que esse é o normal pode ser considerado no mínimo cruel e abusivo. Assim como quando finalmente a vacina contra a Covid-19 for descoberta (tenha fé), a pressão sobre as pessoas anti-sociais para se tornarem “normais” pode ser tão grande que isso pode desencadear uma série de transtornos.

Agora vamos analisar uma segunda situação. O conceito de “novo normal” no Brasil também pode ter sido criado por empresas para causar a sensação de tranquilidade aos trabalhadores, mesmo antes da cura ou vacina contra o coronavírus existir. Pode parecer uma teoria conspiratória, porém um bom marketing usando o termo “novo normal” pode fazer com que as pessoas se sintam à vontade para retornarem às suas atividades “normais”, desde que utilizem as medidas protetivas, o que tem sido comprovado que não resolve muito, do contrário o vírus já teria sumido do mundo, e isso não está acontecendo, pois as pessoas continuam se infectando, adoecendo e morrendo.

Podemos usar como exemplo os países Islândia, Nova Zelândia e Japão, que venceram o coronavírus contendo aglomerações, entre outras estratégias.

Seja qual for o objetivo dessa narrativa “novo normal”, concluímos que ela pode ser negativa. Então porque não usarmos esse momento para repensar nas mais variadas formas de se viver, ao invés de tentarmos encaixar pessoas no que acreditamos ser o correto? Qual é o seu normal?

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