Moda: conceito de tendência pode ser esmiuçado após pandemia do coronavírus

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A pandemia do novo coronavírus pode estar sendo o “golpe” final para o conceito de tendência de moda, aquela que consiste em dizer para as pessoas como elas devem se vestir para pertencer a sociedade está sujeita a findar brevemente.

A antiga visão que coloca as pessoas dentro de um padrão específico e diz a elas como seus corpos e comportamentos devem estar alinhados de forma homogênea vem sendo muito questionada e criticada no mundo da moda. Desde o início dos anos 2000, quando começou a ascender o conceito de expressão radical pessoal, caracterizada pelo estilo individual, iniciou-se o declínio dessa antiga e opressora maneira de se fazer moda. Inclusive muitos estilistas já desenham para novos corpos e formas de ser.

Pelo que se pôde vislumbrar nos últimos desfiles de moda em todo o mundo, a pauta latente é a da moda inclusiva, além de se estar debatendo mais abertamente a moda sustentável.

Você deve estar se perguntando o que a pandemia tem a ver com isso? Calma que você já vai entender. Acontece que em contraponto do conceito de tendência apresentado nas linhas acima, existe um segundo, mais sólido, que pode explicar a origem de algumas peças dentro do meio fashion. Essa segunda tendência é a que surge através de situações históricas, são as tendências que vieram dar um novo sentido às ultrapassadas formas de se enxergar a vida. Um exemplo muito claro são as ombreiras, que surgiram na década de 40 no intuito de militarizar o look da mulher, fazendo com que a mulher se parecesse mais com o homem para poder competir com ele no mercado de trabalho. Nos anos 80 as ombreiras voltaram a surgir como tendência, e com tamanhos maiores, a mulher surgia mais destemida, disposta a lutar pelo seu lugar de trabalho, competir e se impor em relação a um mercado machista.

As ombreiras e outras peças da moda nos fazem refletir que pode haver uma razão histórica para o surgimento de uma tendência que vai para além da primeira tendência que mencionamos acima. Hoje podemos olhar para o momento atual e perceber que os filtros usados nas redes sociais tem sido tendência, por exemplo, e que através de um filtro uma mensagem pode ser passada.

A tendência que podemos chamar de “tendência boa” é aquela baseada em denominadores comuns dos desejos coletivos, em que a moda é um sistema de tradução desses desejos. Tendências são os pontos que mais unem os desejos das pessoas.

Não obstante, durante a pandemia do coronavírus, por exemplo, já se percebe o surgimento de algumas tendências provenientes de um fator histórico que futuramente pode vir a ser chamado de antropológico. Roupas mais largas, máscaras, roupas que criam um certo distanciamento social, o desejo pelas cores brancas, pelo conceito de assepsia, pelo que é limpo, a vontade de saúde, a cor gelo, do álcool gel, do comfy, enfim, o neutro e o nada.

O medo de perder a vida, de perder parentes ou de pessoas importantes para a Covid-19 pode trazer para a moda o conceito futurista, ou seja, de repensar sobre os impactos que a produção de determinada marca pode estar causando no meio ambiente. Logo, num mundo fashion em que se pregava muito o “presentismo”, agora já se está preocupado com questões mais amplas, como por exemplo, a forma na qual vamos deixar o mundo para as futuras gerações.

Leia também: “A moda gerou muitas opressões”, diz Dudu Bertholini no Minas Trend.

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