Fundação Renova
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Mente sã, corpo são

O comportamento alimentar de um indivíduo está associado a diversos fatores, os externos tais como o contexto ambiental e social em que o indivíduo está inserido e os internos que são específicos de cada um, definindo suas preferências e escolhas alimentares. O nosso cérebro possui papel principal na escolha alimentar, por meio da nossa capacidade de julgamento, impulso, controle, bem como memória emocional. Interferindo no processo alimentar existem ainda os neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios), os quais controlam a produção hormonal sendo responsáveis pelas sensações, por exemplo, de fome e saciedade.

Pessoas com depressão ou transtornos psiquiátricos apresentam um desequilíbrio na produção dos neurotransmissores serotonina (responsável pela saciedade e controle alimentar) e noradrenalina (responsável pela sensação de bem estar e euforia), esses dois neurotransmissores exemplificam a relação entre o fator psicológico e a propensão a distúrbios alimentares como compulsão alimentar, anorexia ou bulimia, pois pessoas com alterações emocionais tendem a compensar no alimento as frustrações e sentimentos ruins vividos, usando o ato alimentar como “válvula de escape” para aquilo que não vai bem. Outros neurotransmissores importantes no que diz respeito à saúde mental e nutricional são a dopamina (responsável pela concentração e motivação) e a endorfina que causa sensação de prazer.

Esses neurotransmissores quando em equilíbrio fazem com que a pessoa se sinta bem e motivada, impossibilitando a ocorrência de crises de ansiedade ou depressão. O desequilíbrio destes pode se desenvolver devido a traumas passados ou por episódios isolados ocorridos no dia a dia, e esse desequilíbrio pode causar a manifestação de transtornos de ansiedade que podem culminar em episódios de compulsão alimentar, fazendo com que o indivíduo mesmo sem fome consuma grandes quantidades de comida e tenha o sentimento de arrependimento após o episódio de exagero, possibilitando a aparição  dos transtornos alimentares.

Pessoas que apresentam transtornos alimentares como, por exemplo, compulsão alimentar, são mais propensas a desenvolverem sobrepeso e obesidade e isso as torna mais preocupadas com o peso, causando um ávido desejo pelo emagrecimento que quando não é observado pode resultar no transtorno de ansiedade e depressão devido à frustração por não atingirem o objetivo desejado; o que destaca o ciclo sem fim que ocorre quando não se mantém em equilíbrio corpo e mente. Quando não estamos psicologicamente saudáveis  nada no corpo funciona perfeitamente.

A alimentação é muito mais do que a simples ingestão de alimentos; além da função de nutrir está aliada à necessidade de sentirmos prazer. O ato alimentar ocorre visando nossa satisfação, assim como nossos sentimentos também interferem no nosso consumo alimentar. Cuidar da saúde mental é cuidar da vida em si… O funcionamento de todo nosso organismo depende de quão mentalmente saudáveis estamos.

Coluna Nutrição e Alimentação
Coluna articulada por Franciele Santana
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