Guias de turismo de Ouro Preto se encontram em difícil situação financeira

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O setor turístico de Ouro Preto, um dos principais geradores de receita na cidade, certamente está sofrendo com a pandemia do coronavírus. A reportagem do portal Mais Minas entrevistou o presidente da Associação de Guias de Turismo de Ouro Preto (AGTOP), Nelson Marcos da Silva, de 69 anos, que explicou a real situação desses trabalhadores.

“Bom, os guias de Turismo de Ouro Preto estão em uma situação muito difícil. Eu como Presidente da AGTOP não consegui se quer ser atendido pelo prefeito da cidade, para conseguir alguma ajuda. A realidade dos guias de um forma geral é que nós guias de Turismo vivemos com o dinheiro que faturamos por dia trabalhado e sendo assim não temos salário mensa. Se trabalhamos ganhamos e se não trabalhamos não ganhamos. É simples assim. Estamos precisando de ajuda para atravessar esta crise”.

Nelson ressaltou a dificuldade em dialogar com a Prefeitura sobre o drama dos guias turísticos. “Logo no início da crise, eu tentei uma audiência com o prefeito e ele chegou a marcá-la, mas na véspera mandou me avisar que não poderia me receber. Sendo assim, nós os guias de Turismo de Ouro Preto não estamos recebendo nenhuma ajuda da Prefeitura ou de qualquer outra. Como eu estou em casa, não sei dizer se algum guia tenha conseguido a ajuda do Governo Federal, os R$ 600”, disse o guia.

Peterson Bruschi, fotógrafo e guia turístico, histórico e ecológico, também conversou com nossa reportagem. Ele não tem uma visão positiva para a retomada das atividades turísticas: “Os guias estão a ‘deus dará na verdade’, a gente tem uma entidade nos representando, entramos em contato com algumas autoridades e sindicatos que também não tomaram nenhuma providência. Em uma ação conjunta de alguns guias foi liberado uma cesta básica nessa segunda-feira e nessa terça (15 e 16), é a Prefeitura que está distribuindo essa cesta aqui. Alguns projetos foram apresentados ao prefeito da cidade também, pra ter uma valorização do guia que depende diretamente do turismo, e assim, acabaram se desligando do seu setor, do turismo, e estão tentando trabalhar de outra coisa. Tem muita gente trabalhando nessa firma que tá trabalhando em Itabirito, de construção civil mesmo. Infelizmente, a situação do turismo não está fácil, assim como o pessoal da feirinha (de pedra sabão) também que necessita do turismo, e o guia como ele sobrevive diretamente, a maior parte dos guias são informais.  Alguns guias como eu pagam imposto à parte, nós contribuímos com o INPS da prefeitura, pagamos também o INSS, somos alguns pouquíssimos, vamos colocar aí uns dez ou quinze, que são microempreendedores individuais, assim com eu. Então é uma situação assim que não está legal mesmo. O turismo vai ser o último seguimento a se reativar mesmo depois dessa pandemia passar, porque depende de uma série de fatores pra poder movimentar esse capital.”

É importante ressaltar que existe dois tipos de guias de turismo. em Ouro Preto há 69 guias de Turismo que possuem formação técnica e são credenciados pela Cadastur, esses não fazem parte da AGTOP. E há os guias informais que fazem parte da AGTOP.

Alguns guias credenciados pela Cadastur se reuniram com o prefeito Júlio Pimenta na Secretaria de Turismo de Ouro Preto na última segunda-feira (15), ocasião em que 30 cestas básicas foram distribuídas. Ficou acordado entre o Prefeito e os guias uma cesta básica mensalmente por pelo menos dois meses. No entanto, ainda não houve nenhum contato com a outra parcela de guias, da AGTOP.

“Não teve nenhuma reunião oficial não, mais ou menos no dia 13 de março eu cheguei a conversar com Prefeito pelo telefone e ele falou que estava preocupado com os guias, chegamos a marcar para vê o que seria possível fazer, mas ele desmarcou. Alguns guias que estão passando na frente e correndo atrás podem até ter estado com ele. Desde 1985 nós fazemos um trabalho de recepção com os turistas, a cidade ganha muitos elogios dos turistas que vem e a gente não tem valor diante do poder púbico. Nossa associação é a mais antiga do Brasil, ganhou poder jurídico em 1978. Nessa pandemia o turismo é a primeira parte da sociedade que é tocada, com esse problema, ninguém viaja, quem viajar não quer guia”, disse Nelson.

Nossa reportagem tentou contato com o prefeito Julio Pimenta, que não se manifestou sobre o assunto até o momento da publicação desta matéria.

Shirley Novaes Bacelar, presidente do Sindicato dos Guias de Turismo de Minas Gerais (SINGTUR/MG) enviou a seguinte resposta para a reportagem do portal Mais Minas:

“Primeiro um esclarecimento: Guias de Turismo são somente, os credenciados pelo Ministério do Turismo de acordo com a regulamentação da Lei Federal 8623. Os demais estão em “exercício ilegal da profissão” e sujeitos às penalidades previstas no artigo 47 do código Penal. A AGTOP realmente foi a primeira associação criada no Brasil em 1980. A profissão na época não era regulamentada. Surgiram outras associações no Brasil e foi criada a AGTURB (Associação dos Guias de Turismo do Brasil – Minas Gerais) com sede em Belo Horizonte. Foi acordado na época que a AGTOP seria a subseção da AGTURB. Posteriormente, com a regulamentação da profissão em 1993, aqueles que já atuavam tiveram seu direito adquirido preservado para continuar atuando como Guia de Turismo e teriam um tempo previsto em lei  para se cadastrar.

O tempo passou e a falta de fiscalização fez surgir novas pessoas exercendo ilegalmente a profissão de Guia de Turismo sob o olhar do poder público, sem tomar nenhuma iniciativa para inibir esta conduta ilegal.

O Sindicato responde pelos Guias de Turismo cadastrados no Ministério do Turismo e já solicitou ao poder público providencias contra o exercício ilegal da profissão nesta cidade que deverá ser executada pela Policia Militar.

Ressaltamos que no Estado de Minas Gerais temos cadastrados no Ministério do Turismo 455 Guias de Turismo e 22 Guias de Turismo MEI.

Sabendo da situação dos colegas de Ouro Preto prontamente no dia 31 de março, fizemos um ofício ao Prefeito solicitando cestas básicas para os 60 Guias de Turismo. Tivemos como resposta que teriam que ser cadastrados no CRAS. O tempo passou e a SECULT disse que iria disponibilizar cestas básicas para todos os Guias de Turismo CADASTUR em Minas Gerais.

O Sindicato entregou a SECULT um projeto Arte Salva Turismo com o objetivo de obter receita para os Guias de Turismo do estado. O projeto foi construído com sugestões de vários Guias para ações a serem implementadas com apoio do poder público e privado.

O Sindicato fez também, uma pesquisa com os Guias de Turismo para a construção dos protocolos de boas práticas em saúde dentro do Plano do Governo, Minas Consciente. O Objetivo é um retorno do turismo, pós pandemia COVID-19, com segurança.”

Confira um dos vídeos produzidos pelo trabalhador do turismo Peterson Bruschi:

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