Carros de Defesa Civil estadual são vistos em Itabirito e população teme barragens

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O drama da população mineira em relação às barragens a montante instaladas no estado se mantém mesmo em tempos de pandemia. Minas Gerais é o estado no Brasil com grande influência econômica da mineração, sendo também o estado com o maior número de barragens a montante no país. Desde o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, no ano de 2015, e a repetição de outra tragédia no estado, em Brumadinho, causado pelo rompimento de uma barragem da Vale, causando mais de 200 mortes em 2019, os olhos da Justiça e da população como um todo têm se voltado para a segurança das atuais estruturas de depósito de rejeitos, inutilizadas ou não.

Nessa quarta-feira (1), foi a vez de moradores de Itabirito relatarem aflição após o noticiário em todo país revelar a remoção de famílias em localidades vizinhas às barragens da Vale serem removidas de suas casas. O fato ocorreu nas zonas rurais de Ouro Preto e Itabirito, onde estão localizas as barragens de Forquilha I, II, III e IV e Grupo, da Mina Fábrica. A justificativa para remoção das famílias é, segundo da Defesa Civil de Minas Gerais, por causa do cenário extremo de rompimento das quatro estruturas ao mesmo tempo, apresentado em um novo estudo que envolve a Zona de Autossalvamento (ZAS) das barragens mencionadas.

A Defesa Civil de Minas Gerais, em nota publicada nas redes sociais, também informou que as famílias removidas foram transferidas para hotéis, e que depois serão encaminhadas para moradias temporárias com aluguel social custeado pela Vale. Ainda segundo o órgão estadual, os animais também serão resgatados e acolhidos na fazenda administrada pela mineradora na região.

Apesar dos esclarecimentos do órgão estadual e da mineradora Vale, que em nota informou “que não houve alteração nos dados técnicos das estruturas ao longo dos últimos meses e que as últimas inspeções não detectaram anomalias”, muito moradores, pelas redes sociais, se mostraram temerosos quanto à situação, principalmente após a movimentação de carros de Defesa Civil estadual na cidade.  

Em grupo no Facebook específico para assuntos sobre a cidade, pode-se observar diversas mensagens de temor dos moradores:


Na terça-feira (30), a Defesa Civil estadual informou que havia enviado três equipes a Itabirito para conduzir a evacuação de moradores. Essa pode ser a explicação da movimentação dos carros corporativos vistos na cidade. Uma operação semelhante ocorreu no segundo semestre de 2019, quando 11 famílias já haviam sido realocadas em virtude da subida de nível de alerta das barragens Forquilhas I e III.

Assim como a Vale, a informação da Defesa Civil de MG é que a operação atual é uma medida preventiva, e que não houve, nos últimos meses, alteração nos dados técnicos das estruturas das barragens.

Simulado de evacuação envolvendo 2.500 funcionários que trabalham na construção do muro de contenção

Desde o ano passado, uma obra de grande porte para construção de muro de contenção de rejeitos para um possível rompimento da barragem de Forquilhas está sendo realizado pela Vale. A obra, localizada na região do São Gonçalo do Bação, envolve 2.500 trabalhadores, maioria de empresas terceirizadas. Segundo o jornal Sou Notícia, esses trabalhadores poderão passar por um simulado de evacuação, tendo em vista o risco apresentado pelo possível rompimento das barragens.

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