Música

28 anos sem Freddie Mercury: seu legado é eterno

24 de novembro de 1991. Essa foi a data em que um dos maiores ícones do rock internacional veio a falecer, aos 45 anos, devido a complicações decorrentes da AIDS. Conhecido por ser o vocalista da banda Queen e dono de uma voz única, Freddie Mercury é eterno. Sua trajetória de vida e sua carreira tiveram altos e baixos, e seu trabalho e contribuição para o rock mundial são reconhecidos até hoje.

Vida conturbada

Freddie Mercury teve uma infância complicada e uma vida adulta cheia de conflitos. O astro viveu e experimentou tudo o que quis, até o último minuto. No entanto, Freddie Mercury é somente um nome artístico para Farrokh Bulsara, um menino descendente de indianos que nasceu em Zanzibar, um arquipélago exótico e paradisíaco da Tanzânia, localizado na costa da África Oriental.

Aos 12 anos, e já chamado de Freddie pelos amigos, o menino já havia formado sua própria banda, nomeada “The Hectics”. Por ter uma personalidade “afeminada”, Freddie sofria muito bullyng na infância. Desse modo, se tornou um adolescente tímido e introspectivo. Após ter feito graduação e com diploma de designer gráfico, Freddie trabalhou como vendedor ao lado de sua namorada Mary Austin.

A sexualidade e personalidade complexa de Mercury foram motivos de muitos conflitos internos para o cantor. Naquela época, assim como atualmente, não era fácil ser homossexual, e Freddie não gostava de falar sobre o assunto.

Em 1970, após passar por algumas bandas, o cantor formou o trio Smile, cujo nome seria alterado posteriormente para “Queen”.

Queen

O grupo Queen, formado por Brian May (guitarra e vocais), Freddie Mercury (piano e vocais), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria e vocais), é frequentemente citado como uma das mais importantes bandas da história, também sendo um dos grupos recordistas de vendas de discos a nível mundial. Freddie Mercury possuía uma sintonia enorme com a banda, e a cada riff da guitarra do Brian, dava um show de performance e vocal no palco.

Apesar dos medos de fracassar no início da carreira, a partir de 1975 a banda britânica atingiu seu auge, estourando com a música Bohemian Rhapsody. No entanto, a medida em que o sucesso do Queen aumentava, Freddie Mercury ficava mais distante. Nesta época, Freddie contou à Mary Austin que sentia atração por homens, terminou a relação e continuaram amigos por muitos anos.

Aos poucos, Mercury foi mudando seu estilo e a banda como um todo passou por uma transição musical. Durante a turnê de divulgação de “Jazz”, sétimo álbum da banda, Mercury passou a enfrentar problemas vocais, decorrentes do consumo excessivo de álcool, drogas (principalmente cocaína) e festas. A partir daí, o cantor se viu cercado de pessoas controladoras e interesseiras.

Peter Freestone, um dos amigos que ficou ao lado do ex-cantor do Queen no período em que ele já estava bastante debilitado, contou que encontrar cocaína não era um problema em Londres, e Freddie usava com frequência. “Em Nova York eles tinham um negócio. Você ia pra certo lugar, tinha uma fila. Você entrava na fila e uma porta abria – uma pessoa entrava e saía. Quando você entrava, tinha uma mesa e uma caixa de ferramentas de metal que você abria. Ela estava cheia de drogas. Eu pegava o que Freddie queria e pagava na saída”. Freestone passou 12 anos ao lado do vocalista do Queen.

Sucesso atrás de sucesso, a banda veio ao Rock in Rio em 1985, fazendo uma passagem inesquecível. O show do Queen no Rock in Rio é lembrado até hoje como uma apresentação histórica e marcante, principalmente no momento da canção “Love of my Life”.

Voz única

A voz de Freddie Mercury é tão potente e única que já foi pesquisada por especialistas, que tentaram desvendar o motivo dela ser forte e vibrante. Um dos motivos se deve ao fato de que Freddie possuía mais dentes que a quantidade normal. Isso então fazia com que ele tivesse mais espaço na boca, podendo explicar a amplitude da sua voz.

Um cientista da universidade de Viena chegou a conclusão que o cantor tinha muita elasticidade na voz, podendo alcançar várias notas e alturas com muita facilidade. O conjunto de timbre, extensão vocal, elasticidade, controle respiratório e a maneira de interpretar as músicas faziam de Mercury um cantor completo e único.

Canções como “We are the Champions”, “Somebody to Love”, “Don’t Stop me Now”, “Bohemian Rhapsody” e praticamente todas do Queen parecem que foram feitas especialmente para Freddie, pois exploram e evidenciam seu vocal forte. É possível escutar algumas dessas músicas no YouTube, com a voz de Freddie Mercury isolada. Ouça abaixo, de preferência com fones de ouvido, um dos maiores sucessos do artista, “Somebody to Love”:

1991: Falecimento

Em outubro de 1986, a imprensa britânica começou a noticiar que Mercury havia sido diagnosticado como portador do vírus da AIDS. Entretanto, de acordo com o parceiro de Freddie Mercury, ele só foi diagnosticado soropositivo em 1987. A partir daí, a saúde de Mercury veio se deteriorando rapidamente. Nesta época, o Queen, em sua formação original, já havia deixado os palcos devido a condição do vocalista.

A AIDS foi decorrente da vida descontrolada de festas regadas a sexo, drogas e muitos parceiros de Freddie. Naquela época havia um surto da doença, mas o vírus da AIDS ainda era desconhecido e não havia sequer tratamentos eficazes para combate da doença ou para amenizar seus efeitos.

Durante um ensaio para o evento beneficiente Live Aid, um dos maiores shows da banda, o vocalista conversou com os membros do Queen e pediu que tudo continuasse igual. O cantor morreu em 1991, em decorrência de uma broncopneumonia, complicação da doença que ele possuía. Jim Hutton, o parceiro de Freddie, ficou ao seu lado até o final da vida.

Seu funeral ocorreu em Londres três dias depois, assistido por trinta e cinco pessoas, incluindo a família de Freddie, os membros e o empresário do Queen, Mary Austin, Jim Hutton e algumas outras pessoas. Freddie foi cremado em um cemitério em Londres, mas até hoje os únicos que sabem onde estão depositadas suas cinzas são Mary Austin, os membros da banda e sua família.

A música “Love Me Like There’s No Tomorrow”, do disco solo de Freddie intitulado “Mr. Bad Guy”, de 1985, ganhou um clipe emocionante que mostra a luta contra a AIDS. Se estivesse vivo, Freddie Mercury estaria com 73 anos hoje.

Bohemian Rhapsody

A quarta faixa do lado B do quarto disco do Queen, o clássico ‘A Night at The Opera’, de 1975, é uma das obras mais grandiosas da história do rock. Assim, a canção “Bohemian Rhapsody” nomeou o filme que conta a trajetória do cantor e os caminhos da banda Queen. O longa, que ganhou quatro prêmios no Oscar, é uma clara homenagem ao ícone do rock.

No entanto, a faixa Bohemian Rhapsody enfrentou dificuldades para ser lançada. Isso porque a gravadora rejeitou a produção da música. Uma curiosidade sobre a canção no filme é que ela não é tocada por inteiro em momento algum, somente em trechos específicos.

A canção Bohemian Rhapsody é extremamente longa, totalmente original, com um misto de ópera e hard rock e enredo que emociona. Talvez seja por esses motivos que a produção quase não feita pela gravadora. O significado da letra é até hoje um segredo e muitos jornalistas e críticos já se empenharam para tentar entendê-la. A música conseguiu boa colocação nas paradas musicais de todo o mundo.

O show tem que continuar

O trabalho de Freddie Mercury rendeu reconhecimento até os dias de hoje, sendo citado como grande influência para outras bandas. Além disso, foi nomeado como a maior celebridade africana de todos os tempos e maior líder de banda da história com votação pública organizada pela MTV americana, em 2006. E ficou na décima oitava colocação na lista dos “100 Maiores Cantores de Todos os Tempos”, feita pela revista Rolling Stone.

Freddie Mercury faleceu tendo vendido mais de 150 milhões de discos em todo o mundo. O cantor até hoje inspira as mais diversas gerações. Freddie é um ícone inesquecível, e sua essência irá perpetuar por muitos e muitos anos. Seu legado é eterno.

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